domingo, 24 de maio de 2026

Aviso prévio - 1 Semana para o nosso grande dia, que será o último.

 Há tantas coisas que sinto. Palavras que não se encaixam. 

Eu me questiono diversas vezes se o que faço realmente é bom para mim.

Tudo está um caos, literalmente tudo... casa, relacionamento, trabalho e eu mesma.

Estou desgastada, sem energia, mas com muita vontade de fazer de tudo.

Penso em desistir, mas sinto que estou cumprindo aviso prévio, e que o fim está próximo. É só questão de esperar.

Tenho uma relação de amor e ódio com esse negócio de esperar. Esperar causa uma angústia e ansiedade extrema. 

Afundada em dívidas, sentimentos confusos, carência de compreensão, medo de me frustrar, mas zero medo de frustrar o alheio. Como se fosse egoísmo, talvez seja por só conseguir me importar comigo para lidar com sentimentos alheios.

Difícil de me encaixar, a solidão as vezes parece confortável. 

O maior medo que eu tenho é estar sozinha.

Mas no caos que se encontra esse quarto fechado, o cheiro de cigarro e o som do computador ligado, me lembra outras experiências traumáticas.

Só estou cansada de ouvir reclames, conversas longas sugam minhas energias.

Só quero mergulhar mesmo nos meus focos.

Não quero transar, não quero conversar.

Quero colo, carinho, cuidado e compreensão.

Jamais serei o bastante.

Fumei dois cigarros criando tudo isso, ao rumo do terceiro. 

Quero sair de órbita. Não pensar nas coisas ruins.

Eu tenho vontade de desistir... da vida e de todos. Não queria desistir de mim.

E paro, respiro e coloco a mão no rosto escondendo pela vergonha de ser eu. 

As lágrimas se formam, caem, mas não prossigo no choro.

Estou agoniada, angustiada.

Estou a beira.

Sempre a maldita beira do fracasso.

Tudo se tornou interessante.

Até o momento, não saquei outro cigarro, mas penso nele. É o que me conforma, igualmente um bebê com sua chupeta.

Será que as coisas ainda fazem sentido?

Moro num lugar inabitável, cheio de ratos, moro numa garagem galpão. Gatos roubam, cachorros costumavam latir, mas foram levados. 

Hoje, por estadia me encontro na casa do meu até então, namorado.

Tudo está errado.

Ainda não saquei o outro cigarro.

Vou chegando ao fim dessa declaração, o homem chegou após um longo banho, enquanto refletia sobre nosso relacionamento.

Ele chegou, se trocou e deitou ao meu lado, se cobriu dos pés a cabeça, suspirou e nada falou. 

O silêncio incomoda, mas eu continuo ouvindo as vozes da minha cabeça que fala com você.

Ele virou de lado, não parece querer contato.

A luz permanece acesa, mas eu acho que vou virar para o outro lado também.

Eu só não queria estar aqui.


Hoje vi casais abraçados, carícias, cumplicidade de entre ambos, menos à mim.

Invejável, queria viver isso.

Só não vivo, pois sou uma pessoa complicada demais pra manter um relacionamento saudável. 

Eu estraguei mais um.

Espero que esse seja o último que eu estrague.

Não tenho tanto interesse assim pra lutar em algo que eu mesma acabei.

Eu sinto muito.




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